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Tratado em João 8, 1-11

Notícias da Província

03.04.2022 - 07:00:00 | 10 minutos de leitura

Tratado em João 8, 1-11

Por que provocar o Senhor? Haviam detectado ele em algum delito? Aquela mulher estava preocupada com Ele de alguma maneira? Qual é, então, o significado de “a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo?” Compreendemos, irmãos, que uma gentileza maravilhosa brilhou preeminentemente no Senhor. Eles observaram que era muito manso, muto dócil: pois d´Ele já havia sido predito: “Cingi-vos com vossa espada, ó herói; ela é vosso ornamento e esplendor. Erguei-vos vitorioso em defesa da verdade e da justiça. Que vossa mão se assinale por feitos gloriosos” (Sl 45,4-5). Consequentemente, como mestre, trouxe a verdade; como libertador, trouxe gentileza; como protetor, trouxe justiça. Era predito pelo profeta no Espírito Santo que Ele reinaria por meio dessas coisas. Quando falou, sua verdade foi reconhecida; quando não foi provocado à ira contra seus inimigos, sua mansidão foi elogiada. Diante da sua verdade e mansidão, seus inimigos eram atormentados com malícia e inveja. Diante de sua justiça, colocaram uma pedra de tropeço. De que maneira?

A Lei ordenava que os adúlteros fossem apedrejados, e certamente a Lei não poderia ordenar o que era injusto se alguém dissesse algo diferente do que ordenava seria declarado injusto. Portanto disseram entre si:

Ele é considerado verdadeiro, aparenta ser manso; uma acusação deve ser buscada contra ele com respeito à justiça. Vamos apresentar uma mulher apanhada em adultério. Digamos-lhe o que a Lei ordena a respeito disso. Se ele aprovar o apedrejamento, não mostrará a sua brandura. Se consentir em deixá-la ir não guardará a justiça. Mas, para que não perca a fama da gentileza, pela qual se tornou objeto de amor ao povo, sem dúvida dirá que ela deve ser liberta. Portanto, encontramos uma oportunidade de acusa-lo, e o acusamos de ser um transgressor da lei, dizendo-lhe: “Tu és um inimigo da Lei; tu respondeste contra Moisés, conta Aquele que deu a Lei por meio de Moisés; és dignos de morte, deve ser apedrejado com esta mulher.

Por meio dessas palavras e sentimentos, queriam inflamar a inveja contra Ele, incitar a acusação e fazer com que sua condenação fosse exigida. Era a perversidade contra a retidão, a falsidade contra a verdade, o coração corrupto contra o coração reto, a loucura contra a sabedoria. Aqueles homens prepararam armadilhas nas quais enfiaram as próprias cabeças! Então o Senhor, ao responder, guardará a justiça e não se desviará da mansidão. Não foi preso aquele para quem o laço foi armado, mas sim aqueles que e o armaram. Eles não creram naquele que os poderia arrancar da rede.

Que resposta o Senhor Jesus deu? Como respondeu a Verdade? Como respondeu a Sabedoria? Como respondeu a Justiça contra a qual uma falsa acusação estava armada? Ele não disse: ”Não a apedrejem”, para não parecer falar contra a Lei. Mas Deus não permitiu que dissesse: “Seja apedrejada”, porque não veio para perde o que havia encontrado, mas buscar o que se havia perdido. O que respondeu? Veja como é cheio de justiça, quão cheio de mansidão e verdade! "Aquele que não tem pecado de sua parte...”, disse, “que primeiro atire uma pedra contra ela!” Ó resposta da Sabedoria! Ele os enviou para dentro de si mesmos! Transgressores da Lei, desejavam que fosse cumprida, mas com acusações sem amor. Não a cumpriam realmente. Era como se condenassem adultérios pela castidade. “Ó judeus, mestres e guardiães da Lei, fariseus! Vocês ouviram, mas ainda não o compreenderam como Legislador!"

O que significa para vocês quando escreve com o dedo no chão? A Lei foi escrita pelo dedo de Deus, mas escrita na pedra por causa do coração endurecido. O Senhor agora escreveu na terra, porque estava buscando frutos. Antigamente, ouvíamos: “Cumpra-se a Lei, apedrejem-se as adulteras”. Mas é punindo-a que a Lei deve ser cumprida por aqueles que devem ser punidos? Que cada um de vocês se considere, que olhe para dentro de si mesmo, suba ao tribunal de sua própria mente, coloque-se no tribunal de sua própria consciência, obrigue-se a confessar. Ele nos conhece: “Ninguém conhece as coisas do homem, mas o espírito do homem que está nele”. Cada um olhe cuidadosamente para si mesmo, descubra-se um pecador. Caso contrário, deixem essa mulher ir embora ou recebam junto com a penalidade da Lei.

Se tivesse dito: “Não deixe a adúltera ser apedrejada”, seria provado injusto. Se dissesse: “Deixe-a ser apedrejada”, não pareceria manso. Sendo manso e justo, disse: “Quem não tiver pecado, de sua parte, que primeiro atire uma pedra nela” Esta é a voz da Justiça: que ela, a pecadora, seja punida, mas não pelos pecadores; que a Lei seja cumprida, mas não pelos transgressores da mesma. Esta certamente é a voz da justiça pela qual aqueles homens trespassados como se por um dardo, olhando para si mesmos e se julgando culpados, “um após o outro se retiraram”. Os dois foram deixados sozinhos, a desgraçada mulher e a Misericórdia. Mas o Senhor, tendo-os atingido com aquela flecha de justiça, não se dignou a dar atenção à queda deles, mas desviando seu olhar deles, “novamente escreveu com o dedo no chão”.

Mas quando aquela mulher foi deixada sozinha, e todos tinham saído, Cristo ergueu seus olhos para a mulher. Ouvimos a voz da justiça, ouviremos também a voz da clemência. Suponho que aquela mulher ficou ainda mais apavorada quando ouviu o que o Senhor disse: “Aquele que não tem pecado, primeiro atire nela uma pedra”. Mas eles, voltando seus pensamentos para si mesmos, e por aquele mesmo afastamento tendo confessado a respeito de si mesmos, haviam deixado a mulher com seu grande pecado para Aquele que não tinha pecado. E porque ela ouviu esperava ser punida por Aquele em que o pecado não poderia ser encontrado. Mas Cristo, que havia rechaçado seus adversários com a palavra de justiça, erguendo os olhos da clemência, perguntou-lhe: “Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor.” Ele disse: “Nem eu te condeno.” Talvez tema ser condenada por mim, pois não tenho pecado... “Nem eu te condenarei.” O que aconteceu, Senhor? Portanto, prefere o pecado? Não é nem assim, evidentemente. Marque o que segue: “Vai, e não peques mais.” Isso mesmo: o Senhor condena o pecado, mas não o homem. Se fosse defensor do pecado diria: “Nem eu te condenarei; vai, vive como tu queres: esteja segura da minha libertação; por mais que peque, eu te livrarei de todo castigo, até mesmo do inferno e dos algozes do mundo infernal” Ele não disse isso!

Portanto, temamos a verdade, nós que amamos a gentileza do Senhor. “O Senhor é bom e reto” (Sl 25,8). Você o ama porque é doce; tema-o naquilo que Ele está correto. Como manso, disse: “Fiquei calado”, mas como justo, diz: “Devo ficar sempre calado?” (Is 42,12). “O Senhor é misericordioso e compassivo.” Ele é, certamente! Adicione: “longânime”, “cheio de clemência”, mas tema o que vem por último: “cheio de fidelidade” (Sl 86,15). Para aqueles a quem suporta como pecadores, os julgará como desprezadores!

Ou desprezas como riquezas da sua bondade, tolerância e longanimidade, desconhecendo que a bondade de Deus te convida ao arrependimento? Mas, pela tua obstinação e coração impenitente vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo como suas obras (Rm 2,4-6).

O Senhor é manso, o Senhor é longânime, é misericordioso; mas o Senhor também é justo, o Senhor também é verdadeiro. Ele concede a ti espaço para correção; mas você ama a demora do julgamento mais que a correção de seus caminhos. Você foi uma pessoa má ontem? Hoje, seja boa. Continue em sua maldade hoje? De qualquer forma, mude amanhã. Está sempre esperando e, pela misericórdia de Deus, fez grandes promessas a ti mesmo? Como se Ele que te prometeu perdão por meio do arrependimento, te prometesse também uma vida longa. Como sabe o que o amanhã pode trazer? Bom, você diz em seu coração: “Quando eu tiver corrigido meus caminhos, Deus vai tirar os meus pecados.” Não podemos negar que Deus prometeu o perdão àqueles que mudaram seus caminhos e são convertidos. Mas no mesmo profeta que você leu que  Deus prometeu perdão àquele que se emendar, você não leu que Deus prometeu uma vida longa a ninguém!

De ambos os lados, então, os homens estão em perigo: tanto do lado da esperança quanto do desespero, das coisas e afeições contrárias. Quem se engana com a esperança?  Aquele que diz: “Deus é bom e misericordioso! Deixe-me fazer o que eu quiser; deixe-me dar rédeas soltas às minhas luxurias, deixe-me satisfazer os desejos da minha alma.”

Por que é assim? Porque Deus é misericordioso, Deus é bom, Deus é generoso. Esses homens estão em perigo pela esperança. E aqueles que estão em perigo de desespero, que, tendo caído em pecados graves, imaginando que não podem mais ser perdoados no arrependimento, acreditando que estão sem duvida condenados à condenação, dizem consigo mesmos: “Já estamos destinados a ser condenados, porque não fazer o que nos agrada como gladiadores destinados à espada?” Esta é a razão pela qual os homens desesperados são perigosos. Não tendo mais nada a temer, devem ser temidos excessivamente. Àqueles, a esperança mata; a estes, o desespero é que mata. A mente é jogada de um lado para outro entre a esperança e o desespero.

Você deve temer que a esperança te mate e, quando esperar muito da misericórdia, terá caído em julgamento. Deve temer que o desespero te mate. Quando pensar que os pecados graves que cometeu não podem ser perdoados, e por isso não quiser se arrepender, você incorrerá na sentença: “Também eu me rirei do vosso infortúnio e zombarei, quando vos sobrevier um terror” (Pr 1,26). Como, então, o Senhor trata aqueles que estão em perigo de esperança, diz: “Não demores em te converteres ao Senhor, não adies de dia em dia, pois sua cólera virá de repente, e ele terá no dia do castigo” (Sb 5,8-9). Para aqueles que estão em perigo de desespero, o que Ele diz? “Se, no entanto, o mau renuncia a todos os seus erros para praticar as minhas leis e seguir a justiça e a equidade, então ele viverá decerto, e não há de perecer” (Ez 18,21), consequentemente, por causa daqueles que estão em perigo de desespero, oferece-nos um refúgio de perdão; e por causa daqueles que estão em perigo pela esperança e iludidos pela demora, tornou incerto o dia da morte. Você não sabe quando chegará o seu último dia. Você é ingrato apesar de ter o dia de hoje em que você pode melhorar? Assim, disse à mulher: “Nem eu te condenarei;” mas, estando seguro em relação ao passado, cuidado com o futuro. “Nem Eu também te condenarei” Eu apaguei o que você fez; guarda o que te ordenei, para que possa encontrar o que prometi.

Retirado de "Meditações para a Quaresma: Amando a Jesus Cristo. Santo Afonso de Ligório e outros Santos da Igreja" p 268-273

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