As igrejas na Venezuela voltam a abrir suas portas
11.11.2020 - 13:48:37 | 3 minutos de leitura

Frei Roberto Mason | Em meados de março de 2020, por ocasião do início da pandemia do Coronavirus na Venezuela, pensando em preservar a vida do nosso já sofrido povo e seguindo as orientações de prevenção emanadas pela Conferencia Episcopal da Venezuela, os bispos tomaram a dolorosa decisão de fechar as igrejas e suspender missas e reuniões que implicasse a possibilidade de converter-se em foco de contágio. O primeiro dia em que as igrejas em todo o país fecharam as portas foi uma segunda-feira, 16 de março. A partir do dia 2 de novembro, igualmente uma segunda-feira, as igrejas voltam a abrir suas portas no esquema próprio da Venezuela, conhecido como “7+7”.
A Venezuela tem um esquema específico no que diz respeito à quarentena. Depois de 2 meses e meio em quarentena radical, começo no dia 1 de junho o regime chamado 7+7, que contempla que durante 7 dias podem atuar alguns setores econômicos (chamada “semana de flexibilização”) e depois segue 7 dias de quarentena radical, quando só podem funcionar alguns setores essências (chamada “semana radical”). Este esquema passou por alguns ajustes desde sua implantação e não se aplica em todo o país de maneira única. Na dinâmica do esquema 7+7, a partir do dia 2 de novembro, segunda-feira, se iniciou uma nova semana de flexibilização na qual se ativaram mais de 50 setores econômicos e sociais, alguns deles pela primeira vez desde o início da quarentena social, e se incorporaram setores adicionais do comércio, serviços, indústria, entretenimento e as igrejas e templos de culto.
As distintas religiões começaram a abrir seus templos durante a semana de flexibilização. A reabertura dos templos é resultado de um consenso dos representantes das religiões que atuam no país, e que, depois de várias reuniões, firmaram um acordo junto com as autoridades do governo. Assim, quando o país entra na semana de quarentena radical, as igrejas permanecem fechadas. Mas a abertura das igrejas não se trata de uma abertura mecânica das portas. Existe todo um procedimento para a atividade eclesial e de culto, além de outras atividades pastorais de forma presencial, com a participação dos fiéis de forma ordenada, cumprindo com o protocolo de bioseguridade emanado pela Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) e a autoridade sanitária. A realização de batismos, primeiras comunhões e matrimônios serão avaliadas durante o primeiro trimestre de 2021.
Quando as paróquias estiveram fechadas por quase oito meses, de meados de março ao final de outubro, não significou que a ação eclesial se estancou nas paróquias. São muitas as iniciativas que se realizaram com a finalidade de acompanhar nosso povo neste momento tão particular de tribulação. Os meios de comunicação local, regional e nacional (TV, rádio e internet) utilizaram suas plataformas para, desde e através delas, levar a mensagem salvadora de Jesus Cristo da qual é portadora a Igreja. Especificamente, as novas tecnologias das redes sociais se converteram em “novos areópagos” desde onde se proclama a Boa Nova e a alegria inerentes ao Evangelho. E ao longo deste quase oito meses, também a ação social da Igreja continuou seu serviço, graças ao trabalho das Caritas paroquiais existentes, dos movimentos de apostolado secular e de outros serviços nas paroquias.
Especificamente, os refeitórios comunitários e as iniciativas da distribuição de alimentos nas paroquiais se multiplicaram e não pararam em nenhum momento de realizar seu serviço em prol das crianças, adultos e idosos que estão em situação econômica difícil, amenizando, assim, a miséria e a pobreza absolutas.
A Igreja manteve suas igrejas fechadas por quase oito meses; e manteve o coração aberto todo o tempo, como está aberto todo os dias do ano.
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