Busca de sentido em meio à Pandemia
13.07.2020 - 05:00:00 | 4 minutos de leitura

| Fr. Danilo José Janegitz | Lembro-me – como se fosse hoje – do final do mês de dezembro do ano de 2019, surgia no jornal a notícia de que um vírus estava afetando Wuhan, na China. Na verdade, parecia tudo muito distante e pouco provável que, em questão de meses, estaríamos vivendo toda essa situação. Além de toda a crise causada pelo vírus, nosso país ainda atravessa uma crise econômica e política. Por conta da reclusão domiciliar e da instabilidade,muita gente está sofrendo com o estresse e a ansiedade.
Falando outro dia com uma colega que trabalha como enfermeira em um determinado hospital, ela me contava dos inúmeros pacientes que chegam à emergência com sintomas de ansiedade e pânico. Vários profissionais da saúde, e não só eles, estão experimentando esgotamento físico e psíquico. Há tanta inconstância que fica até difícil manifestar publicamente qualquer tipo de opinião sem sofrer a descarga emocional de outras pessoas, seja pelas redes sociais (em grupos de WhatsApp, por exemplo) ou mesmo pessoalmente, através de conversas informais. Por isso, neste pequeno espaço onde vou trazer algumas reflexões desde o “Counselling” (relação de ajuda), com uma abordagem humanista da psicologia, quero te ajudar a buscar outra perspectiva, outro modo de enxergar a realidade.
Viktor Frankl, um psicólogo que esteve no campo de concentração nazista e sofreu na própria pele a dor extrema, nos fala da vontade de sentido em cada ser humano. Assim como a teologia e a filosofia, a psicologia se preocupa com a questão do sentido da existência humana. Ainda que pouco conhecida, a abordagem da escola de psicologia de Frankl é uma das que mais se aproxima da doutrina Católica, já que se apoia na visão antropológica aberta ao transcendente: o sentido da vida está em buscar uma dimensão que abra horizontes, que faça com que o ser humano possa responder com responsabilidade os desafios que a vida coloca. O ser humano, diferentemente dos animais, pode atribuir um sentido ao sofrimento, ressignificando-o desde os valores. A pessoa não é uma caixa fechada em si mesma, senão que deve se abrir para algo além dela. Essa visão transcendente é o que marca o pensamento de Frankl.
E nós? Como ir além nesse tempo de pandemia? Estou seguro de que não seremos mais os mesmos depois de toda essa situação. Não se trata de nos perguntarmos pelo agora, mas do que queremos fazer quando tudo isso acabar! Se não aprendermos algo do momento pelo qual passamos, será em vão todo esse sofrimento e tantas mortes. Portanto, perguntar-se pelo sentido da vida é a questão que pode ajudar bastante neste período conturbado. Afinal, o que estávamos fazendo de nossas vidas antes do vírus? Agora, muitas pessoas se deram conta de que estavam levando a vida com o piloto automático ligado; e essa pausa, no entanto, permite retomar sonhos e projetos. Aonde queremos ir com o fim da pandemia? Quem queremos abraçar? Quem queremos ver? Posso retomar aquele sonho antigo?
Já passamos por várias fases durante esse tempo de recrutamento. Como viver esses dias? Precisamos seguir mantendo contato: não podemos abraçar, mas podemos ligar, mandar uma mensagem no celular. É preciso ter presente que o ser humano sempre será mais poderoso do que qualquer vírus, por isso não é momento de acentuar as brigas por política ou outras questões que tirem ainda mais a nossa paz. Infelizmente, muitas pessoas em vez de buscarem a união, mensagens positivas de coragem, estão colocando para fora toda a sua angústia, através de desavenças que buscam um culpado para descarregar a raiva e o vazio existencial latentes. Temos de tomar cuidado com o excesso de informação e pouca formação! São abundantes as notícias falsas, ambíguas e tendenciosas. Precisamos estar informados, mas não viver a abundância da informação, porque pode subir muito o nível de estresse. Uma boa estratégia é montar uma rotina em ambientes distintos da casa: não é saudável fazer tudo na cama, pois este é um espaço apenas para dormir e descansar. Tentar comer na cozinha, assistir TV na sala, cuidar de plantas na área externa da casa... isso ajuda a minimizar a sensação de aprisionamento. Retomar um livro que não terminei de ler, ouvir música, dançar, rezar mais, enfim, essas são estratégias imprescindíveis, uma vez que nos ajudam a sairmos de nós mesmos.
Termino com um ensinamento interessante de Viktor Frankl que pode contribuir favoravelmente neste tempo de sofrimento: “Sempre e em toda parte, a pessoa está colocada diante da decisão de transformar sua situação de mero sofrimento numa realização interior de valores”.Sendo assim, vivamos esta ocasião de pandemia como busca de sentido e como oportunidade de crescer interiormente para além de nós mesmos. Deus abençoe!

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