Onde está Deus nestes tempos de coronavirus?
29.04.2020 - 10:42:57 | 6 minutos de leitura

No meio da pandemia do coronavirus, muitos se perguntam: “Onde está Deus?” e, também, “O que Deus está dizendo para nós por meio do coronavirus?”
Faz muitos séculos que o povo eleito de Deus se encontrava em uma situação limite: estava morrendo de sede no deserto e chegou a se perguntar: “O Senhor está no meio de nós?” (Ex 17,7). Hoje o Povo de Deus se encontra igualmente em uma situação limite em que, diante da avalanche de sentimentos de pânico, medo, ira, tristeza, confusão e desespero, pode ter dúvidas ao se perguntar sobre o sofrimento causado pelo coronavirus: “Por que Deus permite a pandemia?, “Que finalidade pode ter nesta pandemia?, É um Castigo?, Que devemos fazer ou deixar de fazer?, Por que está acontecendo tudo isto?, Temos que pedir milagres a Deus? ... Onde está Deus ante o coronavirus?”
Em tais circunstâncias, devemos evitar dois polos: primeiro, deixar-nos ser dominados pelas manchetes quase mórbidas da televisão e; segundo, escutar somente as vozes positivas e esperançosas e criar uma ilusão de que tudo vai passar magicamente. Estamos certamente diante do problema do sofrimento e diante do mistério do mal, uma questão com a qual muitos santos e teólogos trataram durante milênios e ofereceram diferentes respostas, sobretudo desde a perspectiva religiosa. Porém, muito além de ver o sofrimento como uma prova, ou como um castigo, devemos nos envolver na resposta. Aqui recordo o ensinamento de Santo Agostinho: “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”. Deus, nosso criador, é um mistério; por outro lado, sabemos que somos criaturas de Deus e que por amor Ele nos criou livres.
A pandemia do Covid-19 mudou nossos planos e colocou em xeque-mate nossas tantas certezas. Deus, como desde sempre na história salvação, quer que compreendamos que a vida é mais importante que os afazeres da agenda, onde se valoriza mais as coisas criadas do que ao Criador. O que aconteceu com a agenda agitada? Que fim levou as conhecidas palavras “Depressa que não tenho tempo!”? Para estarmos verdadeiramente com Ele, devemos valorizar a vida. Deus quer que compreendamos que os amigos, o trabalho, as riquezas, o luxo, as viagens, nossas posses são uma parte dos dons de Deus, mas não é o todo; que o descanso da alma é mais saudável que as ocupações. Não venceremos o temor com nossas próprias forças. Este é um bom momento para recordar que Deus é nosso refúgio e que podemos acudir a Ele em qualquer momento (Salmo 46).
Devemos ser mais honestos com nossa ignorância porque o delírio da onipotência e da auto referencialidade é um grande perigo para todos. A resposta mais honesta e precisa à pergunta do motivo do vírus Covid-19 estar matando tantas pessoas e porque há tanto sofrimento é que... não sabemos! Repito: Não sabemos! Esta é a resposta mais honesta e precisa. Consideremos que, como pessoas de fé, não podemos nos esquecer de Deus porque sem Ele tudo colapsa e não tem sentido. A ciência não é – e nem pode ser – uma ameaça à fé em um Deus pessoal, criador e redentor do homem. É verdade que não temos resposta para tudo porque a realidade de cada dia nos diz que nem tudo se pode explicar e que há questões que sobrepassam a inteligência humana.
Fazemos perguntas para encontrar as respostas. Não busquemos somente explicações; vamos também encontrar soluções. Na realidade do coronavirus e o problema do sofrimento, perguntar-se “por que?” não é suficiente porque a realidade pede uma atitude concreta: “para que?”. Esta é a atitude do modelo de Jesus, Nosso Salvador. O pastor que cuida do seu rebanho, o médico das almas, Jesus, nos fala a todo momento e quando prestamos a devida atenção, escutamos sua voz. No Evangelho vemos que Jesus não se limita ao “por que?” Ele vivencia o amor de Deus no “para que!”: para iluminar as mentes e os corações na confiança de um Pai infinitamente bom, dono da vida humana. Como Senhor da saúde e da vida, Jesus pode curar a tantos infectados e conceder vida eterna aos falecidos.
Cremos que Jesus é completamente divino e completamente... humano!; mas há ocasiões em que passamos por alto a segunda parte. Nesta época difícil encontramos consolo ao saber que quando seguimos Jesus, seguimos alguém que nos entende não só porque é divino e sabe de todas as coisas, mas também porque é humano e experimentou tudo. O coração de Jesus se comovia quando via uma pessoa necessitada, e atuava de acordo. Este é o modelo de como devemos nos cuidar durante esta crise: com coração comovido e atitudes concretas. Podemos não entender porque pessoas morrem, mas podemos seguir a pessoa que dá um padrão de vida. De fato, Jesus de Nazaré nasceu um mundo de enfermidades e a maioria de seus milagres foram curas de doenças e de incapacidades.
Nosso “lugar comum” está ferido – e temos que cuidar do planeta; estamos todos feridos – e temos que cuidar uns dos outros... para construir um mundo novo. Podemos converter a realidade da pandemia em ocasião para renovar a vida, mais simples, mais colaboradora entre todos, mais solidária, mais respeitosa e com mais sensibilidade em tudo, porque tudo está interconectado, inclusive o divino com o humano. Cremos que Deus está sempre conosco, e espera que colaboremos com a obra da criação, e construamos um mundo de fraternidade.
Onde está Deus? Em tempos de coronavirus, Deus se faz presente de maneira especial e específica. Deus, através de Jesus, se faz presente na gente que sofre, na gente que morre, nos enfermeiros e enfermeiras e pessoal que cuida da saúde e da higiene, que cuida com carinho das vítimas desta pandemia; está nos cientistas, nos que rezam, em você e em mim. O Deus da esperança e da misericórdia nos chama a viver Seu amor e confiar n’Ele.
O que Deus está no dizendo por meio do coronavirus? Ele que nos ama dia e noite e cuida de nós, no leva a cuidar dos mais necessitados porque somos criados à Sua imagem e semelhança. Como nos ensina Santo Agostinho, o Deus que nos criou sem nossa ajuda, não nos salvará sem a nossa colaboração. Depois destes dias sairemos das tumbas de nossas casas para uma vida nova, como Jesus.
Frei Roberto Mason
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